19 de jan de 2009

A vida aqui fora


Para começar algo que eu escrevi no começo do ano passado... hoje muito disso ai mudou. Ainda bem rsrs


"A vida aqui fora: E se eu disser que não sei o caminho? E se eu disser que toda vez que eu achei que ia acertar eu na verdade só arrisquei? Aquela xícara de café ficou lá, a esfriar. E se eu disser que eu nunca soube o que realmente queria da minha vida? Que eu sempre deixei tudo passar por mim... ás vezes ia, ás vezes não ia, dependendo do gosto do chá. A cadeira ficou como ele gostava, à mesa, não obstante virada para a tv. E os móveis se empoeiraram. Minha vida é correr contra os carrinhos na montanha russa esperando vencer o impossível e não ser levado outra vez para traz. Enquanto os outros passageiros fazem a viagem ao norte eu rumo ao sul. Enquanto os maquinistas querem terminar mais um dia de trabalho eu quero mais um dia de vida, enquanto os executivos calculam suas riquezas eu calculo quantos amigos fiz, quantas pessoas fiz sorrir ou fiz feliz, enquanto celebridades andam em suas cabines blindadas eu quero liberdade, enquanto as crianças olham pela janela idealizando o horizonte eu vivo o horizonte. Você entende? Acho que não, não é? Eu não sei nada. Só sei ser assim. Eu sequer me entendo. Nunca consegui brincar de ter certeza. Nunca consegui 100% de não dúvida. Mas pense! Você vai conseguir me entender. Ainda não encontrei o caminho para casa... mas sei que o café já esfriou, que a cadeira continua do jeito que gosto, e que o móvel está empoeirado. Não sei quando, como ou porque perdi o rumo, gostaria de já estar no meu lar, mas sei que agora estou na rota certa. Se perder é difícil, no entanto achar o caminho de volta é mais difícil ainda. Um dia cheguei em casa e vi meu outro eu indo embora de táxi, não houve despedida, nem se quer uma explicação. Apenas o guarda-roupa vazio, e acredite não foi só isso que ficou vazio. Ninguém esqueceu a sombra em meu quarto. Ainda assim eu fugi. Ninguém passou com pressa por mim. Ainda assim eu segui... e cai no buraco da árvore. Eu sempre fui ... sempre passei ... sempre acreditei em minhas próprias estórias. Amigos? Nunca soube o que isso significa... Acho que até agora ninguém buscou me entender, nem aquele lá que se foi entendia! Geralmente as pessoas só querem que você seja o que elas esperam que você seja. Amores? Ohh a situação foi ladeira abaixo. Mas sei que para toda pessoa há amigos verdadeiros e um amor eterno... só precisamos de uma oportunidade. Passado? A única coisa boa em relação a isso é que passou, porém tem o lado ruim: as coisas boas também se foram. Mas quem foi que disse que não teremos mais tardes como aquelas? Eu nunca cresci, cá entre nós não acho isso ruim. Já encontrei a chave da minha velha casa.... Eu nunca dormi. Sempre vi tudo chacoalhar meus cabelos e me deixei levar. Ainda é difícil me entender! ... no entanto sei que a viagem de volta é longa. Mal posso esperar para abrir o portão e ser recebido pelo meu cachorro, botar a chave na porta e sentir aquele cheiro de novo, esvaziar a xícara, fazer mais café e sentar na velha cadeira virada para a tv. Quanto a poeira... é mais uma vez o tempo nos mostrando que tudo passa. E por fim das contas é sempre o gosto do café! Nada concreto. Nenhuma teoria. Nenhum cálculo. Só correr contra a brisa pra sentir o gosto da chuva na boca. Vou te contar um segredo: não deixei o trem, eu o perdi. E ele não para mais pra mim. Mas e se eu dissesse que eu também não quero que ele pare. Você ia querer? A única coisa que sei é que a vida fora do trem é maravilhosa."

Um comentário:

  1. Lindo seu texto menino. Intenso como você deve ser. Adorei essa tua auto-análise. Um dia você se encontra e tudo vai ficar bem. Obrigada pela visita e comentário em meu blog. Vou seguir o seu. Bjsss

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